terça-feira, 5 de abril de 2011

MOÇAMBIQUE E "A EPOPEIA MALDITA"

AFIRMAÇÕES
 DO
GENERAL GOMES DA COSTA
ACERCA DO LIVRO
"EPOPEIA MALDITA"
ESCRITA POR ANTÓNIO DA CÉRTIMA

(...)  Dizia Stendhal, que a arte de mentir se aperfeiçoara muito no seu tempo; que diria ele se hoje aparecesse nesta nossa boa terra de Portugal? Porque, mentir, passou a ser uma necessidade entre nós, desde que se criaram as clientelas para apoio de um chefe que lhes  dê de comer. A mentira adopta, agora, formas vagas, genéricas, vesgas, imprecisas, difíceis de incriminar e, sobretudo, de refutar (...)


General Gomes da Costa em França
Colecção particular

(...) Todos fingem pretender que só se diga a verdade, mas quando alguém de coragem a revela, todos lhe saltam em cima, injuriando-o, abafando-o, repelindo-o. Numa Nação de iletrados, onde a opinião pública é representada por dois ou três jornais politicos, a Verdade anda escondida pelos cantos, e só muito tarde se resolve aparecer (...)

(...) Quando algum fracasso ocorre, não hesitam em atirar com as culpas para cima dos outros; e é este o caso da guerra, e particularmente da guerra de África, em que se procuram atribuir culpas do tremendo desastre aos pobres dos soldados e aos graduados inferiores. Cheia de verdade é "A EPOPEIA MALDITA", e por isso mesmo tem esse livro raro valor. A miséria que descreve, escritor algum seria capaz de as inventar (...)


(...) O que se passa em África foi o mesmo que se passou em França, apenas com a diferença de nesta se não sentirem privações - graças à administração britânica; porque se estivessemos entregues a nós mesmos, a catástrofe teria sido horrorosa (...)

Atravessar o Rovuma
Colecção particular
(...) Em África, vemos os chefes e a sua claque, na base, comendo, bebendo, passeando, gozando, estendidos nas preguiceiras de verga, abanados pelos moleques, tomando limonadas ou "whisky and soda" bem gelados; o resto, a canalha, os párias - rotos e sujos, debaixo dum sol de inferno, sem pão, sem água, sem medicamentos, atolados nos lodos do Rovuma, trocando tiros com o inimigo pela honra de uma Pátria cujos destinos estavam nas mãos de inconscientes, ou ignorantes, ou perversos (...)


(...) Mas no fim, ao terminar a guerra, aparecem, numa evidência balofa, os videirinhos, assaltando os lugares de rendimento, reforçando as clientelas dos deuses de ocasião, cobrindo-se uns aos outros de condecorações e afastando os que poderiam incomodá-los, caluniá-los,e, entre estes, até os pobres mutilados, que eles só aproveitam para os explorar em exibições públicas, colocando-os à sua frente (...)


(...) O livro "A EPOPEIA MALDITA" é a reacção salutar contra a mentira de África, é um livro de coragem absoluta, é um livro de Verdade! Porque, os que, como eu, viram em Mocímboa da Praia, ao terminar a guerra, as montanhas de pneus, os centos de automóveis, os rios de águas minerais e de vinho, as máquinas de toda a espécie, algumas das quais nem tinham quem delas se soubessem servir; os refrigeradores, as toneladas de víveres que, estragados pelo tempo, tiveram de ser atirados ao mar, indo envenenar o peixe da baía; as cruzes de pau dos cemitérios, abandonados, dos nossos soldados; quem viu tudo isto, é que pode compreender bem o que é "A EPOPEIA MALDITA", e revoltar-se contra a inépcia, incapacidade, incúria, desleixo, estupidez e desumanidade dos que, com os meios de acção mais poderosos que nenhuma outra expedição portuguesa teve em África, deixaram devastar e destroçar à fome e à sede, esses pobres soldados de Portugal! (...)

Artilharia de montanha
Colecção particular

(...) Mentira! Tudo Mentira! Ninguém quer a Verdade, porque  a Verdade, como a luz, ofusca essas aves sinistras que se governam a si, fingindo governar a Nação. Políticos da força dos básicos de Mocimboa da Praia, comendo e bebendo em repetidos banquetes, sem que lhes perturbe as digestões a lembrança dos que a esta hora dormem nos cemitérios de França e de África, vítimas da sua incapacidade e da eterna falta de preparação do exército (...)


(...) Mentira só possível num País onde o Povo, bestializado por uma secular vida de submissão, consente que o crucifiquem sem soltar, sequer um grito. É esta a lição que se tira da leitura deste livro soberbo de Verdade, escrito por quem viu e sentiu bem a guerra em todo o seu horror!(...)


Gomes da Costa
      General


Coorden. do texto: marr


segunda-feira, 4 de abril de 2011

MOÇAMBIQUE

TESTEMUNHOS

MOÇAMBIQUE
Passando o Rovuma
Colecção particular
8 DE NOVEMBRO DE 1916
DE NEVALA PARA LULINDI


(...) Falava-se com insistência nos famosos reforços que a Metrópole enviaria, mas os soldados sentiam-se cheios de desenganos, abatidos por tantas e tão desoladas amarguras, deixando-se abater, andrajosos, ampaludados, rotos de espírito e vestuário, acreditavam, com uma serenidade búdica de dever cumprido, que já não tinham alma para mais! (...)



(...) Ao Quartel-general competia estar em Palma, a cento e tantos quilómetros, onde nem um berro de canhão chegava. Em compensação trabalham de gabinete como mouros, expedindo ordens:
- Avance!
- Mas não temos víveres...
- Avance!
- Mas não temos água...
- Avance!
 E cá vamos seguindo junto ao rio, como uma lesma (...)


Sobre o Rovuma
Colecção particular

(...) E numa tarde de sonho Deus chegou! Era o Major de Artilharia, Leopoldo da Silva, visionário incorrigível, na sua luminosa coragem, na ode magnífica da sua insensatez marcial(...)



Major Leopoldo da Silva
Colecção particular



Marcha para Lulindi
Colecção particular

(...) Vinha ébrio de sonho. Que iria suceder? O Major com o seu aspecto viril e inquieto, com o seu séquito de artilheiros todos rútilos e altivos nas fardas vistosas, metia medo e deslumbrava! Leopoldo da Silva trazia, de Palma, as suas credenciais de novo chefe da COLUNA DE MASASSI, arrebanhou homens, exaltou esperanças e redigiu a "Ordem de Marcha" e, no dia imediato a Coluna, meia estremunhada, meio louca, abandona a esplanada de Nevala marchando para Lulindi (...)



(...) À frente, Leopoldo da Silva e a sua hoste de artilheiros, cavalgando com firmeza, seguindo-o, um grupo de militares sem vontade, sem fé, projectando na fria luz da madrugada a sua mancha bizarra de miséria: clarões de carne ao léu, farrapos de vestuários, alguns meios nus, outros em mangas de camisa (...)


Colecção particular

(...) Com o sol ardente, às portas de Lulindi a artilharia toma posições, regula o tiro e abre fogo nutrido. As "sharpnell" sibilam em chicotadas de aço, batendo o ar mas sem resposta do inimigo (...)
A artilharia
Colecção particular


A emboscada alemã
Colecção particular

(...) Retoma-se a marcha e, com a coluna entupida na apertada barragem do caminho, num belo alvo, a emboscada alemã replica então com ferocidade varando a cavalaria de exploração numa fuzilaria brava (...)

(...) Há um embaraço e pânico, tumultos, esboçam-se fugas. A estreita estrada regurgita de trens municiadores e carros de víveres, dificultando as posições. Mas a infantaria negra estende e abre em duas secções; a primeira comandada pelo valente  Tenente Saraiva, da 22.ª Indígena, ocupa o flanco esquerdo; a segunda, postada no flanco direito às ordens de outro bravo militar, o Sargento Matos do 28 (...)


Colecção particular

(...) O fogo rompe, primeiro fraquejante, depois intrépido e quente. Mas o inimigo encrespa-se com ousadia, assume superioridade, varre as frentes com rajadas continuas (...)  Entretanto para desgraça das armas portuguesas, a nossa artilharia muito perto de nós, não podia fazer fogo, e as metralhadoras muito a custo eram arrastadas para a linha de combate. A guarnição dessas armas era deficientíssima: as peças tinham um clarim, um 2.º cabo, dois sargentos e um oficial; as metralhadoras apenas nove soldados de infantaria, apanhados à unha, conhecendo esta arma só de longe (...)

Artilharia alemã
Colecção particular

(...) E já nas metralhadoras faltam as munições; já os carregadores fogem apavorados com esta luta de tigres enfurecidos, e é então que o Major Leopoldo da Silva vendo, num relâmpago, a queda inevitável do seu vasto sonho de águia napoleónica, corre, numa humildade de soldado que não trepida, e acode com pólvora, com um cunhete inteiro, à metralhadora prestes a calar-se...mas duas balas sibilam com alegria macabra, criminosas, ímpias, e o Deus tomba, ferido de morte! (...)


As metralhadoras
Colecção particular

(...) A raiva da dor e a previsão duma derrota morde como áspides a coragem destes leões, perturbando o campo. E um incêndio de loucura varre as fileiras, cresta as almas (...) um sargento do 28, neste desvairamento da refrega, prende o Alferes Craveiro Lopes tomando-o por "boche", o Tenente Germeniano Saraiva, varejado pelas nossas metralhadoras, intima-as a calarem-se ou a mudarem de direcção, sob o perigo de mandar os seus homens fazer fogo contra elas, ninguém se entende (...)

Capitão Pedro Curado
Colecção particular

(...) Entretanto, levado para a retaguarda com o Ajudante - o Alferes Monteiro Leite, também ferido quando o socorria - o Major Leopoldo da Silva, rouco, esvaído de sangue, clamava que "retirassem" e salvassem os seus soldados...- grande ainda, Senhor, no seu imenso coração vencido! (...) os ânimos dobram-se, há um fraquejo nos graduados. Seria melhor retirar...alguém alvitra com timidez (...) ergue-se então o maior Homem de toda esta Epopeia decadente: é o Capitão Pedro Curado! Pistola no cinturão, cavalo-marinho e cachimbo à "rifle", dissimulada despretensiosamente sob o chapeirão bóer (...) e sem perder um momento é ele que assume o comando. Então de novo o campo se electriza. À falta de água, esgotadas já as últimas garrafas de Cúria e Vidago, urinar-se à pressa no "refrigerador" das metralhadoras. Depois, sempre de pé, arrastando todo o arraial, o chefe precipita a sua companhia negra numa avalanche sobre o "boche", a qual, valente como nunca, ébria da pólvora e lisonjeada pela grandeza do comandante, rompe em pavorosa gritaria e faz uma "carga" ululante e épica. Foi o fim. O inimigo fraquejou, quebrou e sob o último tiro das nossas granadas, calou-se de todo, retirando em desordem, desmantelado, sem orgulho e sem forças, para a baixa charneca de Lulindi. Anoitecia (...)

Posto de observação
Colecção particular


(...) Com a retirada de Leopoldo da Silva o comando do combate pertencia ao Capitão Baptista, das metralhadoras como, oficial mais antigo. Porém alegando não sei que "pessoalíssimas razões" este, oficial, recusou-se terminantemente a esta missão. E como comentário  é conhecido este grito galhardo do Capitão Curado, que berrou para um emissário, no fim do combate: "DIGA LÁ AO SR. CAPITÃO BAPTISTA QUE VENHA TOMAR O COMANDO DISTO, QUE JÁ NÃO HÁ TIROS" (...)


(...) Louco? Visionário? Leopoldo da Silva ficou no meu coração, que meu pai ensinou a ser grande, como símbolo do esforço heróico, castiço, da velha cavalaria Lusa - por isso merecendo o meu amor e a minha admiração, poucas vezes dispensada aos homens. Que ele fosse um louco, sim! Mas todos nós preferiríamos morrer heroicamente com este Louco, numa luta briosa e enérgica, com sangue e sol, a acabarmos vergonhosamente como o aristocrático senhor de Palma, apodrecendo nas lamas da Base."

(...) Glória ao Herói de Quivambo! (...)

António da Cértima  in: "Epopeia Maldita"

Coorden. do texto: marr

quarta-feira, 30 de março de 2011

EXPEDICIONÁRIOS PARA ÁFRICA - UNIFORMES

FORÇAS EXPEDICIONÁRIAS PARA ANGOLA E MOÇAMBIQUE A PARTIR DE
21 DE AGOSTO DE 1914

UNIFORME DE CAMPANHA
PARA
OFICIAIS E SARGENTOS AJUDANTES


CHAPÉU-CAPACETE
Igual ao dos soldados, tendo além do laço Nacional os emblemas ou números em metal oxidado.



Fotografia. Colecção particular

























DÓLMEN DE SERVIÇO
Confeccionado em mescla cinzenta de lã ou algodão, com botões do respectivo padrão.


COLARINHOS
Brancos sem goma, sendo o seu uso facultativo

CALÇAS
SERVIÇO APEADO:
Do mesmo modelo dos soldados, mas de mescla cinzenta de lã ou de algodão.

SERVIÇO MONTADO:
Do mesmo tecido das calças


CAPOTE
SERVIÇO APEADO:
De mescla cinzenta com duas abotoaduras, cada uma com seis botões iguais aos do dólmen. Este não tem presilhas na cintura, os canhões das mangas são direitos, da cor do capote e com uma carcela. Tanto a carcela, onde assentam três botões do respectivo padrão, como os canhões são avivados pela cor particular, referenciada no quadro respectivo.

Os galões dos respectivos postos hierárquicos, aplicam-se só na folha da manga da parte de fora e do vivo para baixo.

Além das duas algibeiras, colocadas na ligação das costas com as folhas da frente, tem mais três, sendo uma exterior, no lado esquerdo do peito, na altura do segundo botão, coberta por uma pestana com uma casa e um botão pequeno do respectivo padrão; e duas colocadas na altura da última linha de botões, com as aberturas cobertas com pestanas.





SERVIÇO MONTADO:
Igual ao dos soldados, sendo os botões dourados do respectivo padrão; na gola colocam-se as presilhas onde se encontram os galões do respectivo posto hirarquico.






Oficiais dea cavalaria com capote. Foto colecção particular
 


LUVAS
De pele de cavalo de tom avermelhado claro (uso facultativo)


GREVAS
De modelo idêntico ao das praças


BOTAS
SERVIÇO APEADO:
De cor natural do couro com atacadores.


SERVIÇO MONTADO:
De couro preto, com elástico


POLAINAS
De cabedal preto e as fivelas envernizadas de preto, apertando por intermédio de duas fivelas.

 











Observação:
As botas e as polainas, de todos os graus, em campanha, marchas e exercícios eram devidamente untadas, não se aplicando ao calçado, naquelas ocasiões, qualquer graxa das adoptadas para manter a cor preta.

ESPORAS
De ferro polido ou metal branco de apertar por intermédio de correia,

 ou de caixa.



GENERAIS

CHAPÉU-CAPACETE
Igual ao dos oficiais, substituindo os emblemas ou números por uma estrela de prata.

DÓLMEN DE SERVIÇO
Igual ao dos oficiais com os botões do respectivo padrão

CAPOTE
Igual ao dos oficiais, serviço montado, com a gola vermelha e botões iguais aos do dólmen

BOTAS E POLAINAS
Iguais às dos oficiais mas de couro preto

Tudo o resto conforme os oficiais.

Texto e ilustrações de:marr

sexta-feira, 11 de março de 2011

ANGOLA

Moçâmedes em 1914
MARCHA NO SUL JUNTO AO LITORAL
DEZEMBRO DE 1914
(um testemunho)

(...) O caminho era unicamente um areal movediço, em que os pés se enterravam, e em que se dava uma passada para a frente e meia para trás de cada vez (...)

(...) De longe a longe alguma raquítica vegetação de plantas gordas rasteiras e salgadas, de um verde-escuro sujo, e com laivos terrosos (...)


As Welwitschia - Mirabilis



(...) Se parávamos, as areias cobriam-nas aos pés até aos tornozelos em menos de um minuto, vinham-nos açoitar a cara e as orelhas como pequenas balas; entrava-nos pelos ouvidos e pelo nariz. Que penosa marcha, encetada às 4 da manhã! Que terrível situação! (...)




(...) A fila indiana, aproximando-se o mais possível da água, era ainda assim chicoteada pela areia seca e pelas respingas da água salgada das ondas, que cada vez vinham maiores quebrar-se no areal. Com o corpo deitado para trás, para resistir ao vento sem cair, a areia mesmo molhada vinha chicotear-nos a cara, as mãos, o pescoço, de tal forma que estavam quase em sangue; e assim continuamos andando sem poder parar, pois a paragem seria a morte por asfixia enterrados no areal, que seguia sempre....sempre...., levantando-se nuvens de areia que iam formar mais a norte novas dunas, que se iam sempre movendo. A andar comemos bolacha e bebemos vinho, engolindo tudo misturado com areia (...).

Texto de: Roma Machado, In: "Recordações de África".






terça-feira, 1 de março de 2011

EXPEDICIONÁRIOS PARA ÁFRICA - UNIFORMES

FORÇAS EXPEDICIONÁRIAS
 PARA ANGOLA E MOÇAMBIQUE
21 DE AGOSTO DE 1914

UNIFORMES
Iremos analisar o que as nossas tropas expedicionárias utilizaram a partir da data da mobilização, isto é de 21 de Agosto de 1914. No entanto não deixaremos de citar todos os outros que se poderiam ver nas nossas tropas, na medida em que se utilizavam conjuntamente com o Plano em uso, diversos componentes de outros anteriores, assim como o equipamento e o armamento.

UNIFORME DE CAMPANHA
PRAÇAS E SARGENTOS DAS DIVERSAS
 ARMAS E SERVIÇOS


CHAPÉU-CAPACETE





De feltro, em mescla cinzenta, gomado. A cimeira, em bico, é de cobre oxidado e roscado no ventilador. Na frente tem um laço Nacional de couro envernizado a vermelho e verde, ficando esta última cor ao centro.



 

















Militares de Cavalaria N.º 10. Observe o chapéu-capacete
com a cimeira em bico. Colecção particular

Em 1914 e principalmente a partir de 1917 foi distribuído uma cobertura de cabeça, idêntica à anterior, mas com um ventilador diferente, sem bico.


Expedicionários a bordo. Observe o chapéu-capacete
com o ventilador semi-esférico. In: Ilustração Portuguesa.
  Colecção particular


DÓLMEN DE SERVIÇO
De cotim de algodão cinzento, tendo uma algibeira de cada lado da altura do peito, com fijolas nas partes laterais, abotoando verticalmente, ao meio do peito, por seis botões de unha pretos, cobertos por uma pestana. A gola fecha por intermédio de dois colchetes. As mangas não têm canhões.
As algibeiras são cobertas por uma pestana, que abotoam com botões pequenos cosidos às mesmas. As platinas são do mesmo tecido, do dólmen, direitas e prendem, por intermédio de botões pequenos.
Na altura da cintura e na direcção ao quadril tem, de um e do outro lado, uma presilha com a mesma forma e largura das platinas.
Soldados de Portugal a caminho de África
Colecção particular


 

CALÇAS

De cotim de algodão cinzento, com duas algibeiras abertas horizontalmente nas folhas anteriores, O comprimento das calças das tropas apeadas deve ser regulado de modo que a orla inferior diste três centímetros do solo, quando se tome a posição de sentido.
As praças montadas utilizarão a calça mais comprida de modo que a orla assente bem na pua da espora.

CAPOTE
TROPAS APEADAS



De mescla cinzento com duas abotoaduras, cada uma de seis botões grandes de metal amarelo igualmente espaçados e colocados no sentido da altura.

As duas folhas da frente e a das costas são cortadas de uma só peça, e nas costas, a partir da orla inferior, tem, a meio da roda, uma abertura longitudinal, acompanhada de uma pestana interior, tendo três botões pequenos de metal amarelo. Nas costuras da ligação das costas com as folhas da frente têm duas pestanas que dão entrada a duas algibeiras colocadas interiormente. Junto às pestanas e na altura da cintura, tem as presilhas destinadas a dar passagem ao cinturão, com a mesma forma e largura das platinas.

A gola é de mescla e de voltar, apertando por meio de um colchete, nos extremos da mesma aplicam-se os emblemas respectivos.

As platinas têm o mesmo feitio das dos dólmanes de serviço.

As mangas devem ser suficientemente largas para que permitam vestir o capote com facilidade e, o seu comprimento deverá ser tal que o militar, tendo os braços estendidos naturalmente, o extremo da manga chegue à ligação da mão com o antebraço.


O comprimento do capote deve ser regulado para que a orla inferior diste trinta centímetros do solo.


Capotes para tropas apeadas.
In: Ilustração Portuguesa. Colecção particular


CAPOTE
TROPAS MONTADAS
De mescla cinzenta, tendo as folhas da frente e das costas cortadas de uma só peça. As presilhas são da mesma mescla, bem como a gola que é de voltar tendo os cantos ligeiramente arredondados e aperta por meio de um colchete. Nos extremos aplicam-se os respectivos emblemas.

Pela parte exterior e na altura do segundo botão do guarda-mangas tem uma algibeira que fecha por meio de uma pestana com um botão.  Na frente, assim como no guarda-mangas, tem quatro botões grande de metal amarelo iguais aos do capote para as tropas apeadas.

O comprimento do cabeção deve ser tal que a orla fique equidistante do ombro ao cotovelo Nas costas, a partir da orla inferior, tem, a meio da roda, uma abertura longitudinal, acompanhada por uma pestana interior que tem quatro botões pequenos de metal amarelo

O comprimento do capote deve ser regulado para que a orla inferior diste vinte centímetros do solo

GREVAS
TROPAS APEADAS
De mescla impermeável, com dois metros de comprimento e doze centímetros de largura, não devendo cada par pesar mais de trezentas gramas. Numa das extremidades, que terminará em ponta, terá cosido uma fita de lã, da mesma cor, com um metro de comprimento e um centímetro de largura. Colocam-se conforme se vê no modelo.


Soldado de Infantaria
Fotografia  Colecção particular


BOTAS
De cabedal, untadas, com sola dobrada, tacão de meia prateleira e tacheadas.



             






As botas para as tropas apeadas são da cor natural do couro, para as montadas são pretas.


POLAINAS
TROPAS MONTADAS
De atanado (couro curtido) preto

Soldado de Cavalaria
Fotografia. Colecção particular



ESPORAS
De ferro com correia preta



Maqueiro
Fotografia. Colecção particular
Texto e ilustrações de: marr