terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

PREÂMBULO - ÁFRICA

Postal ilustrado de propaganda
Colecção particular
A 25 de Agosto de 1914 os alemães atacaram o nosso posto de Maziua, na África Oriental Portuguesa, matando-nos gente, saqueando e destruindo o posto; a 11 de Setembro embarcam as nossas tropas para Moçambique ali chegando a 16 de Outubro; a 12 de Setembro, partem as nossas tropas com destino a Angola, onde desembarcam em Moçâmedes a 1 de Outubro, começando assim as nossas campanhas defensivas de África contra o invasor alemão; a 18 de Outubro de 1914 dá-se o incidente de Naulila e a 31, do mesmo mês, o de Cuangar, matando o comandante, oficiais e incendiando o posto; a Alemanha declara guerra contra Portugal a 9 de Março de 1916 e Portugal só a declarou, oficialmente no dia 19 de Maio.

Primeiro da esquerda: General Ferreira Gil,
 comandante da 3.ª Expedição a Moçambique
 com o seu Estado-Maior.Junho de 1916
Colecção particular
Infelizmente as nossas acções em África contra os alemães e os nossos heróis, que combateram nas nossas antigas possessões de África, são sempre olvidados, até nas comemorações oficiais e nos monumentos que existem espalhados pelo nosso País; nenhum tem a estátua em bronze ou pedra referente a um combatente de Angola ou Moçambique, apenas legendas...terá sido por vergonha de terem enviado militares combaterem para África sem as mínimas condições e votados a um total abandono? Terá sido pela incompetência por parte dos principais dirigentes e políticos dessa época?
Embarque de tropas para África
In:Ilustração Portuguesa

PREÂMBULO

Aos alemães, até determinada data não lhes interessava a África, mas Bismarck, depois de grande resistência, consentiu que a Alemanha tentasse estabelecer-se nesse continente; neste sentido, no ano de 1884, o Togo e o Camarões foram ocupados e declarados Protectorados Alemães assim como umas parcelas de território do Sudoeste Africano, onde residiam muitos naturais desse País.

Em 1897 a Alemanha conseguiu que Portugal lhe cedesse os seus direitos sobre o território entre Cabo Frio e o Baixo Cunene, assim o território alemão aproximou-se muito da fronteira de Angola, e desse modo constituiu a Damaralândia, na costa ocidental ao sul desse nossos território.
Colecção particular
 Na África Oriental, a norte de Moçambique, havia uma companhia de negociantes alemães, que em sintonia com os sucessos obtidos na África Ocidental, declararam que : aquela região passaria a ser de futuro a África Oriental Alemã!

Em 1898 o governo inglês e o alemão decidiram entre si partilhar a influência mercantil em Angola, aparecendo na imprensa estrangeira uma série de artigos de opinião. O jornal alemão "Post" em Dezembro de 1911 publicava: (...) Lembremo-nos, de que nos arquivos de Londres e Berlim, existe um tratado que assinámos em 1898, com a Inglaterra, e pelo qual as possessões de Portugal, na África, nos são garantidas. Seriam compensações, que deviam dar-se-nos , em troca das vantagens da partilha da Pérsia (...)

Precisamente pela mesma ocasião o jornal inglês "Daily Mail" publicava num artigo assinado pelo alemão Hans Delbruck, o seguinte: (...) É inevitável, uma diminuição do poder português em África, e uma partilha das possessões da República, ali, entre a Inglaterra e a Alemanha, partilha feita há muito tempo, se não fosse a repugnância da Inglaterra, a ter intervido desvantajosamente na ideia da expansão alemã (...)

Programa de viagem do navio alemão "Ussukuma"
Colecção particular
Não restam dúvidas de que Angola e Moçambique estavam nos projectos expansionistas da Alemanha. Devido a diversas e sucessivas campanhas na imprensa germânica, começaram-se a infiltrar em Angola, muitos alemães, alegando motivos de estudos tropicais, safaris, missões, etc.

A 28 de Julho de 1914, a Áustria declara guerra à Sérvia; a 31, a Alemanha manda um "ultimatum" à Rússia e à França; a 1 de Agosto declara guerra à Rússia, a 2 do mesmo mês invade o Luxemburgo, a 3 declara guerra à França e a 4 invade a Bélgica!

Assim ficaram definidas as posições dos beligerantes: a Alemanha e a Áustria Hungria contra a Inglaterra, a França, a Rússia, a Bélgica e a Sérvia.

Depois a Itália juntou-se aos aliados e a Turquia aos impérios centrais. Todos os outros países declararam a neutralidade, com excepção de Portugal que nada disse, esperando uma definição da aliada Inglaterra em relação às nossas possessões de África.
Texto de: marr

APRESENTAÇÃO

Com a publicação deste blogue encerro o ciclo  a que me propus referente à divulgação da História Militar Portuguesa. 

Dos meus trabalhos sobre à Grande Guerra (1914-1918) nas três frentes de batalha: Angola, Moçambique e França, publicaram-se alguns artigos no Jornal do Exército e no desaparecido site "Viriatus", onde além de alguns trabalhos sobre uniformes, também ali coloquei uma pequena parte do meu arquivo iconográfico referente a esta época; fiz diversos trabalhos e comunicações sobre este tema e várias exposições pelo País sobre "O Esforço Português na Primeira Grande Guerra", etc. Apesar disso o meu arquivo e vários textos que tenho escrito continuam inéditos sendo por isso minha intenção aqui divulgar todo este acervo.

Tenho como meu principal objectivo homenagear todos esses militares anónimos que combateram, sofreram e morreram na Grande Guerra ou por causa dela, penso que se trata de uma mais que justa homenagem, principalmente aos que se bateram em África, não contra os locais, mas sim contra o bem organizado, armado e equipado Exército Alemão.

Uma vez mais advirto de que todo o material apresentado faz parte de um arquivo particular, por isso este apresenta bastantes limitações o que é muito natural.

Agradeço antecipadamente as vossas visitas e que elas lhes forneçam "pistas" para um qualquer trabalho sobre este tema e aproveito para os convidar a serem "seguidores" do meu blogue, pois assim serão avisados sempre que editar novidades, que espero serem bastantes.
Obrigado
M. A. Ribeiro Rodrigues